O Oráculo

Delfos foi uma famosa cidade grega por ser considerada, pelos antigos gregos, como o centro do universo e por abrigar um oráculo. Este era uma sacerdotisa, capaz de se comunicar com os deuses e prever o futuro em troca de presentes. Assim habitantes de toda a Grécia, inclusive os governantes, viajavam para consultá-lo.

Delphi_tholos_cazzul

O oráculo funcionava da seguinte maneira: a sacerdotisa se sentava em um pequeno quarto subterrâneo e respiração vapores do solo, enquanto bebia a água ou inalava a névoa da primavera quente sob o Templo de Apolo. Então, ela entrava em um estado exaltado de espírito e dava conselhos como se estivesse em transe, ditando, assim, palavras enigmáticas. Durante o processo de transe, pelo menos uma sacerdotisa faleceu.

GREECE: ORACLE AT DELPHI. Oracle of Apollo at Delphi. German engraving, 19th century.

GREECE: ORACLE AT DELPHI. Oracle of Apollo at Delphi. German engraving, 19th century.

A existência desse oráculo não é contestada, mas ele gerava dúvidas acerca de como funcionava e por que existia.

Uma hipótese recente afirma que o gás etileno, um hidrocarboneto comum encontrado na natureza, foi detectado em rochas e na água perto do templo de Apolo, podendo ter sido responsável pela produção do estado de transe. O gás se encontrava tanto na água bebida pela sacerdotisa, quanto na névoa, que vazava pelas rochas, devido à atividade vulcânica local. O etileno, portanto, afeta o sistema nervoso, através do deslocamento de oxigênio para o cérebro. Pequenas doses de etileno produzem uma sensação de flutuação, anestesia e euforia, levando, junto à falta de oxigênio, a alucinações e visões.

THE ORACLE, George Edward Robertson

THE ORACLE, George Edward Robertson

Outra vertente, acredita que o gás presente no templo de Apolo continha, além de etileno, metano. Este também pode causar alucinações se inalado em altas doses, possuindo uma letalidade bem maior que a do etileno. A morte pode seu causada por sufocação, mas antes disso acontecer, a sacerdotisa sofreria alucinações.

Em suma, não há como saber se o poder do Oráculo era real, produto de alucinações químicas ou puro teatro da sacerdotisa. Entretanto, afirma-se que algumas das previsões do oráculo eram surpreendentemente precisas. Se tornou conhecida a história de Creso, o homem mais rico da época. Ele realizou uma espécie de teste sobre oráculos, enviou mensageiros a todos para que perguntassem o que Creso estaria fazendo em um determinada data. O Oráculo de Delfos foi o único a responder corretamente – cozinhar uma tartaruga em um pote.

"Sacerdotisa de Delfos", John Collier, 1891.

“Sacerdotisa de Delfos”, John Collier, 1891.

 

Júlia Matoso

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