Dossiê – Tessália

Aquiles apressa o seu companheiro a partir, ordena os Tessálios e faz
ilibações a Zeus.”

Ilíada

A Tessália é uma das regiões mais tradicionais da Grécia. Também chamada de Éolia, pelo fato de os eólios, uma das quatro tribos principais da Grécia, serem originárias dessa região. Tessália fica ao leste da bacia da cordilheira de Pindo ao sul da Macedônia até o mar Egeu, faz limite a região de Épiro a oeste e ao sul da Grécia Central.

Tessália

Essa região cercada de picos e vales, estações bem definidas e abundância de chuvas de verão, é uma região muito fértil fazendo a Tessália ser considerada o “Celeiro da Grécia”. Detendo uma das maiores agriculturas da região, Tessália tornou-se lar de várias famílias de barões e é famosa por sua cavalaria.

"View of Antique Thessaly from the 'Atlas Major'", Joan Bleau, 1662

“View of Antique Thessaly from the ‘Atlas Major'”, Joan Blaeu, 1662

Quando os espartanos recusaram a ajuda dos atenienses, estes sentiram-se profundamente ofendidos e deixaram de lado a tentativa de manter uma política externa em favor dos lacedemônios. Assim, buscando vingança, Atenas aliou-se a dois dos maiores inimigos de Esparta, Argos e Tessália.

"The Bank of Thessaly", Giorgio de Chirico, 1926.

“The Bank of Thessaly”, Giorgio de Chirico, 1926.

Atenas pediu auxílio a Tessália devido sua reputação em operações de sítio, já que os lacedemônios demonstraram dificuldades a esse respeito. Durante os primeiros anos da guerra, a Tessália enviou tropas (cavalaria) para apoiar Atenas quando os lacedemônios tentaram invadir a Ática. Desta forma, Tessália tornou-se um dos primeiros aliados de Atenas na Guerra do Peloponeso.

Monumento de Alexandre, o Grande, em Tessalônica.

Monumento de Alexandre, o Grande, em Tessalônica.

Dossiê – Tebas

Doce palavra de Zeus, que nos trazes do santuário dourado de
Delfos à cidade ilustre de Tebas?”
Édipo Rei, Sofócles

 


Tebas é uma cidade-estado na Beócia, na região da Grécia Central, localizada ao sul de noroeste de Atenas. Está situada em uma planície, entre o lago Ylike para o norte e a cadeia de montanha Kitharion, que divide a Beócia da Ática, ao sul.

A cidade estava presente no imaginário grego. A fundação da cidade, segundo a mitologia, se deu por Cadmo, que na busca de sua irmã Europa (que havia sido levada para Creta por Zeus na forma de um touro) estabeleceu a cidade de Tebas. É nessa mesma cidade-estado que se desenvolve o mito de Édipo Rei.

Tebas

Tebas foi um importante centro micênico na metade ao fim da Idade de Bronze. Também conhecida como Kadmeia, foi inicialmente habitada por volta de 3000 a.C.. Devido sua posição central e segurança militar da cidade, Tebas tomou uma posição de comando no Beócios. A forma de governo era aristocrática, este era regido sobre estatutos de direito de propriedade e sua transmissão ao longo do tempo.

Alexandre em Tebas.

Alexandre em Tebas.

Historicamente, a cidade possuía relações hostis com Atenas, e era considerada uma das maiores rivais dos atenienses. Dessa forma, na Guerra do Peloponeso se alia a Esparta. Tebas é a cidade-estado líder de uma liga composta por cidades da Beócia. Como Plateia era a única cidade a não fazer parte dessa liga e era aliada de Atenas, Tebas decidiu por invadi-la. O ataque a Plateia foi uma das causas que deram início às hostilidades entre atenienses e peloponésios.

Ruínas da Cadmeia, em Tebas.

Ruínas da Cadmeia, em Tebas.

Dossiê – Potideia

“…o promontório de Âmpelo rumou diretamente para o de Canastreu, de toda a Palene a parte mais avançada no mar. Ali tomou igualmente navios e tropas procedentes de Potidéia, Afítis, Neápolis, Egas, Terambos, Cionéia, Mendas e Sana.”

Heródoto, História, Livro VII

A Potideia foi uma colônia coríntia, fundada por volta de 600 a.C. e constituída de habitantes vindos da própria Corinto e do Peloponeso. Localizada na península mais ocidental da Calcídica, na Grécia, possuía um porto altamente estratégico na costa trácia, ao longo do mar Egeu, à caminho do mar Negro. Controlava o comércio de cereais, escravos, ferro, cobre, atum e madeira, constituindo uma cidade comercial. Antiga aliada de Atenas, saiu da liga de Delos devido à liderança autoritária ateniense, que estava utilizando o tesouro da Liga em benefício próprio.

Potideia

Potideia se revoltou contra Atenas, entrando em aliança formal com os calcídios e botieus e apoiados em sua própria forca bélica e na dos peloponesos. Assim, os atenienses deram ordens aos seus comandantes para fazerem reféns na Potideia e demolir suas muralhas, cercando e sitiando a cidade, após serem infrutíferos os processos de negociação pacífica. Deste modo os potideus recorrem à ajuda de Corinto e Esparta lança um ultimato a Atenas que envolve a suspensão do bloqueio da Potideia e das sanções de Mégara. Estes são apontados como algumas das principais causas da Guerra do Peloponeso.

Pintura macedônica em tumba, em Potideia.

Pintura macedônica em tumba, em Potideia.

Atenas, portanto, se ressentia pelo fato dos peloponésios haverem provocado uma revolta de uma cidade aliada e tributária deles, além de os terem combatido ao lado dos potideatas. Enquanto isso, os coríntios buscavam aliados e incentivavam a guerra antes que a Potideia fosse completamente destruída.

Sócrates defendendo Alcebíades em Potideia, Antonio Canova, 1797.

Sócrates defendendo Alcebíades em Potideia, Antonio Canova, 1797.

A Teoria da Paz Democrática

A teoria da paz democrática é uma teoria que postula que as democracias evitam se envolver em conflitos armados com outras democracias. É uma “teoria da paz”, que descreve os motivos que dissuadem a violência patrocinada pelos Estados.

Assim, os principais fatores tidos como motivadores da paz entre as democracias são:

  • Líderes democratas são forçados a aceitar a culpa por perdas de guerra para seu eleitorado;
  • Publicamente, estadistas responsáveis ​​tendem a estabelecer instituições diplomáticas para resolver as tensões internacionais;
  • As democracias são menos inclinadas a ver países com instituições políticas legítimas como hostis;
  • As democracias tendem a possuir mais bens públicos que outros Estados, e, portanto, evitam guerra para preservar sua própria infraestrutura e recursos.

Este ponto de vista assume que as estruturas democráticas, que dão aos cidadãos influência sobre as decisões governamentais, fará com que seja menos provável que um líder democrático será capaz de iniciar uma guerra com outra democracia liberal. Assim, instituições como a liberdade de expressão, o pluralismo político e eleições competitivas irá tornar mais difícil para esses líderes para convencer ou persuadir o público a ir para a guerra.

Essa teoria pode ser relacionada à Guerra do Peloponeso, já que algumas das Cidades-Estados que entraram na guerra eram democracias.

Levanto em conta o caso de Atenas, a cidade-estado grega democrática de maior influência, é sabido que houve uma guerra por dois anos (415-413 a.C.) entre ela e Siracusa, outra cidade-estado grega. Contrariando, portanto, o argumento da paz democrática.

Esquema de como funcionava a democracia ateniense.

Esquema de como funcionava a democracia ateniense.

Assim, apesar de possuírem Estados democraticamente governados, entre eles não há o comportamento previsto pela teoria da Paz democrática. Mesmo que Tucídides afirme que pares de Estados governados democraticamente eram um pouco menos propensos a lutar entre si, do que pares de Estados compostos apenas por uma, ou nenhuma democracia.

Dito isso, deve-se considerar que a concepção de democracia mudou ao longo dos tempos. Há uma disparidade entre o modo pelo qual as instituições podem aplicar responsabilidade sobre aqueles que fazem e executam decisões, nas duas épocas consideradas. Outra questão é que grandes potências, democráticas ou não, devido à seus interesses generalizados e capacidades de intervenção, são mais propensas do que os pequenos Estado a entrar em conflito. Esse seria o caso de Atenas e Esparta.

Geralmente, democracias são mais bem sucedidas em conflitos que oligarquias. Na democracia ateniense cidadãos livres tiveram uma participação no sistema político e econômico, soldados eram compostos de uma parcela muito maior da população do que em Esparta, e eram melhor educados. Atenas, foi a mais rica de todos os estados gregos per capita. A marinha ateniense não era tripulada por galeotes sujeitas ao chicote, mas por homens livres e bem remunerados graças a recursos provenientes do império, que remavam de bom grado e lutavam vigorosamente no combate corpo-a-corpo, que caracteriza muito da guerra naval.

Diferentes formas de governo.

Diferentes formas de governo.

As democracias também parecem mais capazes e dispostos a mobilizar recursos de suas economias em tempos de guerra, porque a população em geral apoia o esforço de guerra e vai ficar com alguns dos ganhos.

Em suma, evidências de uma paz democrática entre as cidades-estados na era da Guerra do Peloponeso são escassas e as democracias muitas vezes não vieram em auxílio uma das outras. Democracias modernas, por sua vez, são mais propensos a concluir alianças formais com as outras, do que seria de esperar, quando não tem informações sobre seus regimes políticos.

Para se analisar o efeito da democracia na Grécia Antiga, basta observar que o sistema grego não possuía, para além da Liga de Delos (sob a hegemonia ateniense), organizações internacionais, e não existiam dados suficientes sobre os padrões de comércio, para uma análise geral do sistema.

Mapa do Império Ateniense em 431 a.C.

Mapa do Império Ateniense em 431 a.C.

O fracasso em encontrar evidências da paz democrática na Grécia antiga não deveria ser surpreendente. Uma razão pode ser que os atenienses tinham muitos escravos, e só os homens livres participavam da política. Mais importante, no entanto, pode ter sido a falta de restrições institucionais na forma de separação de poderes e representantes sujeitos a remoção eleitoral periódica e regular. O conjunto de cidadãos se reuniu pelo menos 40 dias por ano. Não havia nenhuma autoridade superior à assembleia, e suas decisões eram finais. Não houve burocracia profissional ou instituição representativa que poderia resistir a ação precipitada ou para ser responsabilizado por ela. Ademais, os cidadãos livres da assembleia, com sua participação na manutenção e expansão do sistema, não eram especialmente pacifistas.

 

Júlia Matoso

Dossiê – Pilos

“We left for Pylos, Nestor too
the shepherd of the peoples,
And He, receiving me the king,
within his halls so lofty,
Embraced me with all
eagerness as father does
his youngling
His son back from long time abroad.”

Homer, Odyssey
IX 108-112

 

Pilos foi uma cidade-estado localizada na costa da Messênia, região do Peloponeso. Era um cabo rochoso e estreito, conectado ao continente por toda a sua costa oriental. Possuía várias “defesas naturais”, podendo ser considerada um forte naturalmente construído. Em razão dessas características, Pilos foi cenário de uma das batalhas mais marcantes ocorridas entre atenienses e espartanos.

Pilos

No verão de 425 a.C., o general ateniense Demóstenes planejava estabelecer uma base fortificada em Pilos, que estava sob influência dos espartanos, com o objetivo de que, a partir dessa base, os guerreiros atenienses pudessem invadir o território espartano, libertando assim os servos, que eram a base do sistema econômico de Esparta. Os espartanos, quando souberam da invasão a Pilos, imediatamente enviaram tropas para combater os atenienses, contudo, foram derrotados. Um episódio inédito ocorrido na Batalha de Pilos foi o fato de os espartanos terem se rendido aos atenienses após perceberem que não poderiam vencer, quebrando assim com uma tradição de duzentos anos mantida pelos lacedemônios de morrer em batalha. 292 soldados, sendo 120 deles membros da aristocracia espartana, foram feitos reféns pelos atenienses.

Elmo de bronze de Pilos do século V a.C, aproximadamente.

Elmo de bronze de Pilos do século V a.C, aproximadamente.

Após a batalha, a base ateniense instalada em Pilos tornou-se motivo de preocupação para os espartanos, uma vez que esta enviava tropas para outras partes da Messênia, influenciando rebeliões naquela área. Além disso, havia a preocupação espartana com os reféns feitos na cidade. Tanto a base ateniense em Pilos quanto o destino dos reféns espartanos são tópicos que serão debatidos durante as negociações de paz.

Palácio de Nestor em Pilos.

Palácio de Nestor em Pilos.

O Documento de Posição Oficial

O DPO

Como em todas as edições anteriores, em todos os comitês, será obrigatória a apresentação de um documento de posição oficial, nosso famoso DPO, durante a primeira sessão de nosso comitê. Devido às nossas “pequenas” peculiaridades, como por exemplo, o fato de estarmos em 421 a.C, a formatação do documento de posição oficial será diferente da formatação padrão que será requisitada nos outros comitês.

O que é o DPO?

Aos delegados de primeira viagem, essa deve ser uma pergunta recorrente. Esclarecendo essas dúvidas, DPO é um documento de posição oficial, ou seja, é uma pequena dissertação sobre a posição da sua delegação quanto às questões que serão discutidas.

O DPO é um documento de posição da sua delegação, logo, nele não há espaço para opiniões pessoais sobre o assunto. Aquilo que está escrito em seu DPO é, em linhas gerais, a política a ser seguida por sua delegação durante todo o MINIONU. Por isso, ele deve ser escrito com prudência, sem contradições com o discurso e de maneira formal.

 

Como redigir um DPO?

O DPO deve ser redigido como um texto dissertativo. Não deve haver nele opiniões pessoais ou qualquer outro tipo de expressão que remonte ao delegado e não à delegação. A linguagem utilizada deve ser formal e diplomática.

Além de informações sobre a posição da delegação, é esperado que haja uma pequena introdução sobre o que estará sendo representado, no caso de nosso comitê, uma breve apresentação sobre sua cidade-estado ou império (no caso da delegação do Império Persa).

Em nosso comitê, em especial, serão permitidas e encorajadas algumas menções à cultura da cidade-estado que a delegação representará. Pequenas manifestações culturais, saudações aos deuses e outras expressões que poderiam aproximar o seu DPO a algo que poderia ser escrito durante aquele período temporal. Nessa parte do documento, incentivamos que os senhores utilizem de sua criatividade, contudo, com moderação e cuidado para não fugir do assunto, sejam criativos e diretos.

 

Como será o DPO do CGP 421a.C?

Devido às facetas incomuns de nosso comitê, a formatação do DPO será diferente. Os documentos de posição oficial deverão ser feitos em uma lauda, de tamanho A4 em papel craft e escritos à mão.

Não será obrigatória a utilização de um brasão da cidade-estado que os senhores estarão representando. Temos em mente que nem todas as representações do comitê possuíam símbolos ou brasões, logo, se os senhores encontrarem algum emblema que remeta à cidade e desejarem coloca-lo no DPO, estejam a vontade (nós até mesmo encorajamos!), mas se não encontrarem, não será problema.

Equipe CGP 421 a.C.

Dossiê – Mégara

“Choremos a juventude e a velhice também,
pois a primeira foge e a segunda sempre vem.”

Teógnis de Mégara

Mégara é uma Cidade-estado grega situada no norte do estreito de Corinto, na Ática. Floresceu no século VII a.C. devido ao comércio, possibilitando a construção de uma série de edifícios públicos, além da anexação de colônias importantes, como a de Bizâncio em 660 a.C.

Megara

Era aliada de Esparta, porém, por volta de 460 a.C associou-se a Atenas contra os coríntios, que os estavam pressionando em disputas sobre suas fronteiras, e não obtinham ajuda de Esparta nessa disputa. Atenas, portanto ocupou a região de Mégara e Pegás, construindo aos megáricos longas muralhas e os defendendo de ataques coríntios.

Discóbolo em Mégara.

Discóbolo em Mégara.

Entretanto, em 432 a.C. Mégara se rebela contra Atenas, contando com ajuda de coríntios, siciônios e epidáurios. Assim, com o propósito de afetar a economia megárica, Atenas emite o Decreto de Mégara, excluindo, portanto, todo e qualquer navio ou mercador megárico, dos portos comerciais controlados pela cidade ateniense. Os atenienses também construíram grandes muros em um dos portos de Mégara, o que causou a ira dos coríntios, pois foi visto como uma tentativa de Atenas de enfraquecer as pólis daquela região, aumentando assim a sua influência. Em outras palavras, o Decreto de Mégara foi um embargo comercial, que tinha como objetivo também isolar Corinto.

Os espartanos demandaram que os atenienses voltassem atrás, pois entenderam o Decreto como uma provocação. Contudo, os atenienses mantiveram sua posição. Este fato é considerado uma das razões que levaram a eclosão da Guerra do Peloponeso, pois acentuou a rivalidade entre as duas potências, resultando na maior fragilidade da paz naquele ambiente.

Estátuas de Hércules e Mégara (deusa).

Estátuas de Hércules e Mégara (deusa).